Acre consolida expansão das exportações em 2025

Por Joquebede Oliveira e Marky Brito 

O encerramento do ano de 2025 marca um momento histórico para a economia do Acre, consolidando uma trajetória de resiliência e expansão de sua base exportadora. Ao analisarmos o comportamento da balança comercial, observa-se que o estado não apenas superou os volumes de anos anteriores, mas refinou sua inserção em mercados altamente competitivos. 

Com um superávit acumulado de US$ 93,72 milhões, o Acre demonstra que a vocação para o agronegócio e o extrativismo sustentável é o grande motor de sua riqueza externa, mesmo diante de desafios logísticos estruturais. 

Desempenho de janeiro a dezembro de 2025

Ao longo de todo o ano de 2025, o Acre alcançou a marca de US$ 98,90 milhões  em exportações, um crescimento expressivo de 13,3% em comparação ao total movimentado em 2024. Esse desempenho anual foi fortemente influenciado pela sazonalidade da safra da soja, cujos picos de colheita e embarque nos meses de março e abril garantiram os maiores saldos comerciais do período. No acumulado anual, a pauta foi liderada pela carne bovina (27,9%), seguida pela soja (20,6%) e pela carne suína (16,8%), configurando uma cesta de produtos que, embora baseada em commodities, possui uma demanda global estável e crescente.

A dinâmica do último trimestre: volatilidade e recuperação

O último trimestre de 2025 foi um exemplo da expansão das exportações acreanas. Outubro iniciou o período com vigor, registrando US$ 8,86 milhões em vendas externas, um salto de 46,19% sobre setembro, impulsionado pela carne bovina, que dominou 51,2% das exportações do mês. Em novembro, como é natural nos ciclos de transição de mercado, houve uma retração de 24%, com as vendas recuando para US$ 6,74 milhões

Entretanto, o estado mostrou sua capacidade de recuperação em dezembro, fechando o ano com um crescimento de 20,9% em relação ao mês anterior, totalizando US$ 8,14 milhões. Um destaque notável de dezembro foi o desempenho da castanha-do-Brasil, que assumiu a vice-liderança das  exportações mensais (18,6%), reforçando o papel de Rio Branco como o principal polo exportador deste produto extrativista.

Geopolítica estratégica: do Peru aos Emirados Árabes

O Acre goza de uma posição geográfica privilegiada para a integração sul-americana. O Peru manteve-se como o principal parceiro comercial ao longo do ano, sendo o destino de 27,2% das exportações totais, especialmente carne suína e castanha. Essa relação evidencia a importância estratégica da fronteira em Assis Brasil, porta de saída para o comércio regional. 

Simultaneamente, o estado projetou sua influência no mercado asiático e no Oriente Médio. Os Emirados Árabes Unidos consolidaram-se como o segundo maior destino anual (11,7%), seguidos pela Turquia (7%) e Filipinas (6,2%),  mercados que absorvem majoritariamente a carne bovina produzida em municípios como Senador Guiomard. Em dezembro, a Argélia também se  destacou, absorvendo 16,5% das vendas mensais através da compra de animais vivos e carne. 

Os desafios logísticos e o contexto de importações

Apesar do sucesso, o Acre ainda enfrenta o desafio crônico da logística. Mais de 67% do escoamento anual ainda depende da via marítima, exigindo longos trajetos rodoviários até os portos de Santos (SP) e Manaus (AM). A via rodoviária sustenta 31,5% do comércio, sendo vital para o mercado andino, mas sensível às condições de infraestrutura regional. 

No lado das importações, o Acre mantém um perfil de baixa necessidade, o que favorece o superávit. No último trimestre, as compras foram marcadas por itens de alto valor agregado e necessidade pontual: aeronaves e equipamentos dos Estados Unidos em outubro, equipamentos de telecomunicações da Espanha em novembro e armas e munições da Áustria em dezembro. 

Um futuro em expansão

O balanço de 2025 é um atestado de eficiência da parceria entre o setor público e o privado. O estado provou que é possível aliar o desenvolvimento econômico à sua posição remota, transformando desafios em pontes para os mercados mais dinâmicos do mundo. Para 2026, a manutenção do superávit e o fortalecimento das cadeias produtivas locais serão fundamentais para que o Acre continue sua trajetória ascendente no cenário global, superando as barreiras logísticas através da qualidade e sustentabilidade de seus produtos. 

Nesse contexto, é necessário monitorar os impactos da concessão do trecho rondoniense da BR-364, os avanços na consolidação da Rota Quadrante Rondon e as reações do mercado global às medidas tarifárias dos Estados Unidos e às negociações do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e União Europeia. 

Joquebede Oliveira, economista (Ufac), é chefe da Divisão de Estatísticas e Monitoramento de Indicadores (Dimei/Seplan) 

Marky Brito, engenheiro florestal (Ufra), MBA em Gestão de Projetos (FGV), é diretor de Desenvolvimento Regional (DIRDR/Seplan)

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