Sema, Sipam e Ufac discutem eventos climáticos extremos na Amazônia

O conhecimento sobre possíveis cenários climáticos e hidrológicos pode ajudar e definir políticas de uso e gerenciamento de recursos

A severa seca registrada esse ano no rio Acre foi o tema do Painel de Especialistas “Eventos Extremos na Amazônia: um foco para o rio Acre”, que aconteceu nesta sexta-feira, 23, no auditório do TCE. Promovido pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o evento contou com a participação de representantes do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) de Porto Velho, da Universidade Federal do Acre (Ufac) e de órgãos integrantes da Comissão Estadual de Gestão de Riscos Ambientais (CEGdRA).

A coordenadora de operações do Sipam-Porto Velho, Ana Cristina Strava, apresentou dados sobre o comportamento histórico do rio e o meteorologista Luiz Alves mostrou um levantamento sobre eventos extremos no estado. Reunidos com os demais especialistas, os profissionais analisaram a situação da vazante desse ano e discutiram previsões para o início da cheia.

Para Vera Reis, coordenadora do Painel, o tema tem grande relevância para os acreanos. Os eventos extremos assumem importância significativa no cotidiano das sociedades, quer seja por sua freqüência e intensidade de ocorrência, como pela vulnerabilidade das populações e ecossistemas.

Segundo pesquisas do IPCC (2007), eventos como inundações e secas prolongadas estão relacionadas às alterações do clima global, mas são também potencializados por ações e intervenções humanas no meio ambiente. Os efeitos projetados pelo IPCC poderão tingir tanto as áreas mais urbanizadas quanto as áreas rurais.

Conclui-se que as predições de clima futuro indicam riscos consideráveis para a Amazônia, assim como uma incerteza significativa, uma vez que a região tradicionalmente possui um regime climático naturalmente feito de extremos. A maneira como estes fatores estão sendo incorporados nas políticas pode fazer uma grande diferença nas decisões a serem tomadas.

O conhecimento sobre possíveis cenários climáticos e hidrológicos e as suas incertezas pode ajudar a estimar demandas de água no futuro e definir políticas de uso e gerenciamento desses recursos. Para o Secretário do Meio Ambiente, Edegard de Deus,

“uma vez que estão ocorrendo mudanças climáticas significativas na Amazônia, o objetivo deste evento onde formamos um painel de especialistas é o de melhor entendermos o que está ocorrendo com os rios do Acre, uma vez que tivemos nesta estação seca a menor cota em 40 anos de medidas. A partir destas discussões e estudos, poderemos formular políticas mais adequadas, bem como orientações mais precisas à sociedade, visando nos preparar para minimizar os impactos dos eventos climáticos extremos que estamos enfrentando”.

Compartilhe:

WhatsApp
Facebook
Twitter