Por que a pandemia de Covid afetou gravemente o “psicológico” de tanta gente

O “normal”, como era concebido pela maioria das pessoas, não existe mais. Esse é um fato difícil de entender porque de repente o mundo virou “de cabeça pra baixo” e muita gente perdeu as referências que tinha na vida. Desemprego, confinamento, morte, doença, medo e incerteza, tudo isso se tornou presente na vida das pessoas cotidianamente sem um aviso prévio. Então o psicológico da grande maioria dos habitantes do Acre, assim como de todo o mundo, está afetado. Não há como negar.

O estrago da pandemia vai muito além da perda de vidas para a Covid. A economia e todos os setores sociais enfrentam reflexos deste período histórico do planeta que jamais será esquecido pelas futuras gerações. A pandemia do coranavírus será comparada às guerras mundiais e às tragédias naturais que vitimaram milhões de pessoas ao longo da história da humanidade. A diferença é que a Covid-19 atingiu todos os países sem exceção, vitimizando brancos, negros, orientais, índios, pobres e ricos. Uma tragédia sem precedentes que não escolheu as suas vítimas num determinado estrato social.

Assim como a peste negra na Europa medieval ou a gripe espanhola no começo do século XX, a Covid se espalhou deixando um rastro de milhões de mortos por todo o planeta. Mas além das ondas de contaminações, que ainda se sucedem, existem as perspectivas futuras de graves crises econômicas que deverão gerar ainda mais problemas sociais.

Então somente um poste sem vida poderia ficar indiferente a tudo o que está acontecendo sem ter o seu psicológico abalado. Nós fazemos parte de um mundo que está todo interligado. Assim a dor do outro, por mais que queiramos negar, nos afeta. Mesmo que não tenhamos consciência desse fato, ainda assim seremos afetados pelo sofrimento que está presente neste momento no inconsciente coletivo da humanidade. Não tem para onde fugir.

Para atravessar este momento tão complicado na vida de todo mundo, é preciso manter a calma e a serenidade. Obviamente que escrever estas palavras é mais fácil do que realizá-las e não vou negar esse fato. Mas não temos nada mais importante a fazer neste momento do que viver. E, para dar prosseguimento às nossas vidas, precisamos de coragem e fé. E como vamos conseguir manter a chama acesa desses atributos em meio a tanto sofrimento?

Voltando-nos para dentro e procurando conhecer mais de nós mesmos. A solução definitivamente não está fora, então não adianta procurá-la onde ela não está. A chave desse mistério é o autoconhecimento. E o melhor caminho para se conhecer melhor é a auto-observação. Não vou chamar de meditação para não parecer algo complexo, mas é a mesma coisa.

Procure observar os seus pensamentos e para onde eles estão te levando. São os pensamentos que desencadeiam os processos depressivos e angustiantes. Mas o interessante é que, se eles podem enredá-lo numa teia de desespero, podem também te levar à libertação. Pense nisso, e tente conduzir os seus pensamentos para esferas mais luminosas e positivas. Como fazer isso?

Simplesmente se concentre na sua respiração. Observe o ar que entra e sai do seu corpo. Essa é a chave para conduzir os seus pensamentos a paragens mais positivas. Quanto mais você se dedicar a observar a sua respiração, mais se acalmará e poderá interromper processos que certamente te levarão a grandes sofrimentos.

O veneno da cobra é mortal, mas contém também o soro da sua cura. Assim os pensamentos poderão te arrastar para uma terra devastada, mas também podem te levar a um oásis verde de bem-estar e entendimento. Não é preciso lutar contra os pensamentos negativos, só não se apegue a eles. Deixe esses pensamentos obscuros passarem como a corrente de um rio que segue em direção ao oceano.

Definitivamente você não pode viver nem no passado e nem no futuro, é só no presente que a vida acontece de fato. Encare os seus medos, mas consciente que são passageiros, assim como tudo o que existe no universo e obedece a lei da impermanência e da transformação. Não existem só dias chuvosos e nem só dias ensolarados. Portanto, saiba que se você está atravessando uma tempestade, o Sol irá brilhar em breve porque essa é a natureza da nossa existência.

Nelson Liano Jr. é diretor de Comunicação da Secom