Polícia Civil prende quadrilha que vendia casas do programa Minha Casa, Minha Vida

Em uma operação que durou cerca de 12 horas, investigadores da 4ª Regional e do Grupo Especial de Capturas desbarataram quadrilha de estelionatários

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No mandado de busca e apreensão cumprido na casa de Jair Cléucio, os policiais conseguiram apreender materiais que comprovam a aplicação do golpe (Foto: Assessoria Polícia Civil)

De acordo com a investigação, a quadrilha vendia casas de conjuntos de habitação popular do governo do Estado e era liderada pelo falso empresário Jair Cleucio Aquino de Oliveira, 38, com o suposto auxilio de Gilson Ferreira da Silva, 31, Valkson Araújo Costa de Sousa e mais duas pessoas. Os nomes  – suspeita-se de que uma mulher faça parte do grupo – estão sob sigilo policial.

No mandado de busca e apreensão cumprido na casa de Jair Cléucio, os policiais conseguiram apreender materiais que comprovam a aplicação do golpe. No imóvel foram apreendidos recibos de pagamento em nome da AC – Construções Comércio e Serviços Ltda., cuja sede era numa casa alugada na Rua 3 de Maio, em Senador Guiomard (24 quilômetros de Rio Branco).

Entre os bens apreendidos constam dois Corollas – um deles ainda sem placas -, um Voyage e um Fiat Uno. No banco do carro em que Gilson estava a polícia localizou um bloco de recibos, intacto, que seria para repassá-los a outras vítimas.  

O golpe

Os crimes foram articulados por Jair, e pela maneira como foram planejados, muita gente pode ter sido lesada. O acusado, que já tinha sido preso por vender casas que nunca existiram,  apresentava como dono da Empresa AC Construção Comércio e Serviços, que era apenas de fachada. Ele dizia para as vítimas que havia construído parte dos conjuntos de moradia popular do Estado, cujos imóveis serão sorteados entre famílias de baixa renda mediante análise dos órgãos ligados à área social do governo.

Como pagamento, teria recebido cerca de 100 unidades, para vender ao preço máximo de R$ 2,5 mil e mínimo de R$ 1,2 mil, que na versão do suspeito era para pagamento das despesas da suposta construtora.

As casas de madeira eram vendidas por R$ 1,2 mil e as construídas em alvenaria, por R$ 2, 5 mil. A oferta era tentadora. O líder da quadrilha afirmava que entregaria os imóveis em uma semana, após a vítima efetuar o pagamento. Muita gente caiu na farsa da casa própria.

Descoberta

Uma dona de casa que adquiriu um dos imóveis de alvenaria passou a desconfiar depois que Jair adiou por três vezes a data de entrega e tratou de procurar a polícia na tentativa de saber se realmente o negócio era legal.

O delegado Alcino Júnior designou uma equipe do setor de crimes contra o patrimônio para que apurasse a denúncia e descobriu tratar-se de um golpe. Parte dos membros da quadrilha foi identificada.

Na quinta-feira, investigadores da 4ª Regional e Grupo Especial de Capturas da Polícia Civil (Gecapc) cumpriram vários mandados de busca e apreensão e apreenderam quatro automóveis, notas que comprovam recebimentos de R$ 30 mil, R$ 1,3 mil em dinheiro, R$ 9 mil em cheques e 300 dólares americanos.

O delegado Alcino Júnior aplicou flagrante em Jair e indiciou os demais acusados por estelionato e formação de quadrilha. Cerca de 30 vítimas foram identificadas, porém, acredita-se que esse número seja pelo menos três vezes maior. O grupo também é investigado por outros crimes, inclusive no golpe do carro financiado