O Acre tem jeito

Os dados a seguir são extremamente preocupantes. Divulgados recentemente pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, eles apontam que o Acre possui, proporcionalmente, a maior população carcerária do mundo. Para cada grupo de 100 habitantes, uma pessoa está presa. São 8,1 mil detentos no sistema penitenciário, atualmente.

Mais de 40% da população acreana depende do Bolsa Família para sobreviver. Ao todo, são 86 mil famílias sustentadas mensalmente pelo programa do governo federal. De acordo com a quantidade de membros da família, o valor varia de R$ 39 a R$ 372.

Essas duas informações que abrem este artigo são fundamentais para compreendermos a atual situação social que vivenciamos aqui no Acre. Esta conjuntura não foi criada do dia para a noite, mas se arrasta por décadas e explodiu como uma bomba-relógio, recentemente.

A escolha de políticas públicas equivocadas e aparelhamento da máquina estatal em torno de um ganancioso plano de poder acabaram com qualquer chance de progresso do Acre. Travaram o estado e assombraram potenciais investidores. Por várias e várias vezes, ilusões de um pseudodesenvolvimento foram vendidos e comprados por parte da população. Quem não se lembra do óleo de andiroba ou do bambu como a redenção econômica do nosso estado?

Deu certo? Não. Revolucionou a economia local? Também não. Sem oportunidades concretas de desenvolvimento, a pobreza cresceu e a violência explodiu. Acompanhei a abertura da colheita da soja – safra 2020 – e os relatos dos produtores rurais são os mais bizarros possíveis de um passado recente marcado, sobretudo, pela burocracia, para não dizer perseguição.

Um destes sojicultores tinha autorização dos órgãos ambientais para plantar 43 hectares em sua propriedade de 500 hectares. Ele relatou que nunca conseguiu entender o motivo de tanto ódio contra a soja. A oleaginosa é nada mais nada menos que o grão mais demandado do mundo e principal produto agrícola brasileiro no quesito exportação. O próspero Mato Grosso sabe bem o que a soja representa para sua economia.

Assim como muitos, sou favorável ao agronegócio. Temos solos férteis, clima ideal para várias culturas, áreas adequadas e forte potencial para ser a nova fronteira agrícola neste país que surgiu a partir da agricultura. Essa é uma alternativa, assim como o fortalecimento do comércio e a industrialização.

O governo Gladson Cameli será crucial para dar início a este novo momento da nossa economia. A gestão entende que é preciso fazer sua parte. Não atrapalhar quem quer trabalhar já ajuda, e muito, neste processo. De forma lúcida, sabemos que transformar a nossa realidade vai levar alguns anos, mas a decisão e coragem de mudar faz toda a diferença nesta caminhada e era isso que estávamos precisando.

O desafio assumido pelo governador e sua equipe é enorme. Porém, o Acre tem jeito, sim. O que estamos vendo é um grande esforço para transformar o discurso em realidade. Renegociação de dívidas, investimentos bilionários em todas as áreas e abertura do estado para o verdadeiro desenvolvimento.

Depois de tantos anos de marasmo, sigo acreditando em um futuro melhor para a nossa gente, com mais oportunidades para nossa juventude, geração de empregos e desejando que aqueles números apresentados lá em cima daqui a alguns anos possam fazer parte de um passado distante, que não deixou saudade.

Wesley Moraes é jornalista.