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Idaf reforça atenção para os riscos do consumo de carne clandestina

Responsável pela inspeção dos alimentos de origem animal e vegetal que chegam à mesa do consumidor, o serviço prestado pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) não é importante apenas para garantir a sanidade e a boa procedência dos produtos, mas também para combater práticas ilegais e nocivas à saúde pública e à arrecadação de tributos, como é o caso da comercialização de carne clandestina.

Recentemente, o Idaf e a Vigilância Sanitária de Cruzeiro do Sul apreenderam 115 quilos de carne clandestina naquele município. A ocorrência reforça a preocupação do órgão estadual para os perigos do consumo de produtos alimentícios – especialmente os de origem animal – sem a devida inspeção. O médico veterinário Marcos Rodrigo, responsável pelo trabalho de inspeção sanitária do Idaf no Juruá, diz que, apesar da fiscalização, não é incomum a ocorrência de abates clandestinos na região.

É importante que o consumidor compre carne em estabelecimentos que garantam boa procedência do produto Foto: Divulgação

O profissional explica que essa prática ilegal expõe os consumidores a diversos riscos de saúde, além de violar as leis, incentivando o roubo de animais e promovendo a sonegação de impostos.

“Produtos clandestinos envolvem vários fatores de risco à população, pois são produtos fabricados ou produzidos em péssimas condições higiênico-sanitárias, o que estimula surtos de intoxicação alimentar, sendo uma das grandes preocupações as zoonoses, enfermidade dos animais que são transmitidas para os seres humanos, muitas das vezes com grande poder de patogenicidade e letalidade, como no caso da raiva e do botulismo”, esclarece o veterinário.

A carne clandestina apreendida em Cruzeiro do Sul foi inutilizada pelos agentes após a tomada dos procedimentos de costume para esses casos. As medidas relacionadas ao responsável pelo produto de abate clandestino são de responsabilidade da Vigilância Sanitária municipal. A apreensão ocorreu depois do registro de uma denúncia anônima.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) também alerta para este tipo de produto, especialmente se adquiridos na rua ou em estabelecimentos duvidosos. Além dos riscos de contaminação durante o processo de abate e transporte, o armazenamento e o preparo deste alimento podem fazer a diferença para a saúde do consumidor.

De acordo com o Mapa, o consumidor deve sempre prestar atenção na procedência do alimento. Nunca se deve adquirir um produto de origem duvidosa, no caso, clandestino, sob pena de ter graves problemas de saúde. Os produtos obtidos a partir do abate clandestino, por exemplo, sem a devida inspeção veterinária oficial, podem ser vetores de doenças e infecções alimentares.

As chamadas zoonoses como, por exemplo, a tuberculose, a brucelose e a cisticercose, além das infecções e intoxicações alimentares, causadas por microrganismos que contaminam os produtos de origem animal, somente poderão ser identificadas e descartadas mediante a inspeção de um médico veterinário capacitado.

Se identificado o produto no comércio, sem inspeção, a denúncia deve ser feita na Vigilância Sanitária do município. No procedimento de investigação pelos órgãos de controle sanitários, o assunto poderá ser remetido à polícia, tendo em vista que muita carne clandestina é proveniente do roubo de animais ou de cargas no país.