É com retalhos que se faz uma vida melhor

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Tem pessoas que precisam ser incentivadas, mas tem algumas que são empreendedoras por si só, é o caso de Aldenira, que sua inquietação mudou a rotina de toda família (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Com quatro filhos e beneficiada pelo Bolsa Família, Aldenira Dantas ainda sentia que faltava algo. Conversava frequentemente com sua mãe e cunhadas que precisava encontrar alguma oportunidade para ocupar o tempo e ganhar dinheiro. No entanto, Jadson Bryan, o filho mais novo, tem 1 ano e 3 meses, e foi pensando na atenção que demandam os filhos que viu que tinha que ser algo em casa. Sua cunhada costurava e o pouco que sabia ensinou Aldenira e já são quatro anos vendendo tapetes.

Compram retalhos, transformam em tapetes. Colocavam em bolsas e saíam em bairros e secretarias oferecendo. Os que mais vendem são os menores e mais baratos de R$ 10 e 15. Dois anos depois, já convencidas que o trabalho dava certo, conseguiram apoio da Secretaria de Estado de Pequenos Negócios (SEPN). As quatro envolvidas na fabricação de tapetes da família  fizeram o curso de costura e ganharam máquinas.

O negócio aumentou o potencial, o acabamento dos produtos ficou melhor, mas o grande diferencial foi a conquista de um ponto de venda nas feiras de economia solidária, que aí sim possibilitou que as vendas multiplicassem: “A primeira que participamos foi a Expoacre do ano passado [2014], depois vieram as semanais no Mercado Velho. E tem feira que vende mil reais no fim de semana, ajuda demais”, conta Aldenira.

Mãe, filha e cunhada fazem tapetes de retalhos e se revezam na venda nas feiras de economia solidária (Foto: Diego Gurgel/Secom)
Mãe, filha e cunhada fazem tapetes de retalhos e se revezam na venda nas feiras de economia solidária (Foto: Diego Gurgel/Secom)

Cada uma produz em média 60 tapetes ao mês. “A feira é bom porque as pessoas estão passando e veem nosso trabalho e muitas vezes falam que vão encomendar, ligam e dá certo mesmo”, exclama a mãe do Jadson. Com o tempo, os modelos foram aperfeiçoados com a criatividade individual: “Os modelos vem tudo da nossa cabeça mesmo, tem de florzinha, coração, da Minnie e do Pica-Pau, que as crianças gostam e as pessoas acham bonito”, conta a mãe, Ermelina Dantas.

Costuram um futuro melhor e o trabalho alcançou o patamar de ser mais que um sustento, é uma ocupação que realmente gostam. Aldenira acha que sua vida ficou mais completa e sua inquietação mudou a rotina e perspectivas de toda a família. E o plano para 2015 é começar as vendas com o cartão de crédito e talvez ir para um ponto fixo.