Diversificação da produção muda vida de produtores rurais em Rodrigues Alves

A diversificação da produção é apontada como uma das principais alternativas para o aumento da renda e a melhoria da qualidade de vida de produtores rurais familiares.

Quando se aposta em uma única atividade produtiva, os pequenos produtores estão mais suscetíveis de enfrentar obstáculos que podem prejudicar a produção, como chuvas em excesso e estiagem prolongada ou variação de preço no mercado, por exemplo.

Já o produtor familiar que investe na diversificação de sua produção aumenta as opções de segurança alimentar e consegue obter renda decorrente das várias atividades.

De Rodrigues Alves, mais precisamente do Ramal da Mariana, vem um exemplo do quanto o investimento na diversificação da produção pode mudar a vida de quem tira da terra seu sustento.

Joel Costa e Maria Elenir, conhecida como Helena, estão há 22 anos na mesma propriedade. Algum tempo atrás, a família passava por dificuldades e pensava em se desfazer da terra e ir embora para a cidade.

A única atividade era o plantio de mandioca para a fabricação de farinha. Quando o preço caía na região, a renda do casal diminuía consideravelmente e a família passava por dificuldades.

“Com dor no coração eu pensava em vender tudo e ir embora. A gente não tinha conhecimento nem incentivo para produzir outra coisa que não fosse a farinha”, diz Joel.

Investimentos do governo mudam a vida do casal

Piscicultura é uma das atividades do casal (Foto: Sérgio Vale/Secom)

Foi aí que chegou o apoio do governo do Estado, e a vida de Joel e Helena começou a mudar. O primeiro investimento foi na área de piscicultura. O casal teve a oportunidade de fazer um curso sobre a atividade. Além do conhecimento, foram construídos açudes na propriedade para que eles tivessem condições de começar a criar os primeiros peixes.

A piscicultura deu tão certo que se tornou uma das principais atividades produtivas do casal. Hoje há sete açudes, onde são criados pirarucu, pintado, tambaqui, matrinchã e pirapitinga.

A produção de pescado é vendida em Cruzeiro do Sul e municípios da região e atende também moradores de cerca de 10 comunidades vizinhas. “Muitas vezes eu nem preciso levar peixe para Cruzeiro do Sul. O pessoal aqui mesmo da comunidade compra a nossa produção. É uma renda muito importante para nossa família”, destaca Costa.

Animados com os resultado, eles não pararam mais de investir na diversificação da produção. Atualmente, além do peixe e da farinha, o casal vende goma, planta milho, mandioca, arroz e frutas, cria gado, produz açaí e buriti e comercializa ainda legumes e hortaliças produzidos nas hortas da propriedade.

Produtores também se dedicam à criação de ovelhas

Outra atividade produtiva que tem proporcionado uma considerável renda para o casal de produtores rurais é a criação de ovelhas.

Resultado do programa desenvolvido pelo governo do Estado desde o ano de 2012, que já distribuiu mais de cinco mil ovelhas, atingindo 390 famílias de 15 municípios do estado, Joel e Helena receberam 15 animais.

Rentabilidade do negócio é um dos pontos positivos apontados pela família (Foto: Sérgio Vale/Secom)

A criação deu certo e até hoje já foram comercializadas mais de 200 ovelhas. “Como tenho uma área que reúne todas as condições para a criação das ovelhas, posso dizer que hoje tem sido mais rentável do que o boi e o peixe. Minha intenção é aumentar a quantidade de animais”, diz o produtor rural.

Com a produção diversificada, a vida da família só melhorou. O casal montou uma pequena mercearia, que vende um pouco de tudo para a comunidade e adquiriu uma camionete que ajuda no escoamento da produção.

A realidade hoje é bem diferente. Lembra do início da reportagem quando Joel afirmou que pensou várias vezes em vender a propriedade e ir embora para cidade?

Depois da parceira e dos investimentos do governo, quando é feita a mesma pergunta, a resposta vem na ponta da língua.

“Nem gosto de lembrar do quanto era difícil nossa vida aqui antes do apoio do governo. Hoje o meu maior orgulho é dizer que sou produtor rural. Que vivo do que a natureza me proporciona. Não troco minha propriedade por nenhum lugar do mundo”, afirma Costa.

Helena não esconde a felicidade ao falar de sua área de terra. “Aqui eu chamo de meu pequeno paraíso. Tenho muito orgulho do meu cantinho. Não tem como ficar triste neste lugar.”