Bambu: Acre aposta nessa economia viável e sustentável

Semana passada o governador Tião Viana e a primeira-dama Marlúcia Cândida tiveram uma reunião com investidores interessados em produtos que têm como matéria-prima o bambu. Isso me fez recordar das diversas vezes em que tive pautas envolvendo essa planta, quando estive em redações e também nos trabalhos de free-lancer para o Sebrae-Acre. Aliás, o que sempre me fascinou foram as inúmeras possibilidades da espécie.

Do bambu podemos ter instrumentos musicais, móveis, cestos e tantos outros objetos, além disso, tem forte emprego na construção civil, até em edifícios à prova de terremotos. A China e o Japão talvez sejam os maiores cases de países que sabem fazer uso da espécie.

Mas e o que o Acre tem a ver com o bambu? Explico.

No mundo todo existe mais de 1200 tipos de bambu espalhados pela Oceania, Ásia, África e Américas. O único continente onde a espécie não vingou naturalmente é a Europa. Já a América do Sul, só perde para a Ásia quanto a variedade presente em seus mananciais. Só no Brasil, cerca de 200 variedades nativas foram identificadas no Norte e Sul do país.

Esse precioso material, que dá formas a tantos produtos, tem sido explorado cada vez mais, inclusive, como aliado do design, por permitir muita criatividade. Com essa visão ousada a primeira-dama e arquiteta Marlúcia começa a impulsionar sua exploração diversificada para que, se transforme numa política de governo no âmbito de fomento, principalmente no setor privado, capaz de fomentar a economia do estado.

A proposta em questão é a instalação da Bambacre Fábrica S.A, que inicia uma caminhada de sucesso. A execução do projeto consiste no manejo das florestas para a exploração do bambu como material artesanal e para móveis, que devem posteriormente se tornar uma marca do Acre com a venda para outros estados.

Segundo o empresário americano Mark Neeleman, o Acre concentra o maior depósito da espécie no Norte do país, podendo explora-la de acordo com a política de sustentabilidade defendida no estado, que tem como objetivo não apenas preservar, mas conservar e transformar em riqueza renovável.

A proposta pioneira da empresa vai gerar, de cara, cerca de 200 empregos e mais manejadores. Até 2020, o número de empregos pode chegar a 1 mil, abrindo perspectiva de uma economia inovadora não apenas no Acre, mas que pode se estender por outros estados da Amazônia.

Acredito que isso seja um bom começo de algo que surge de um estudo do Sebrae e da Embrapa para um salto maior, a exemplo do que aconteceu em países asiáticos. O estado já reconheceu seu potencial ao aplicar o material na bela arquitetura dos quiosques do Parque Tucumã. E muito mais pode se esperar desse mercado, afinal, o bambu é considerado a madeira do futuro e se firma como alternativa que contribui para um planeta mais sustentável.

* Jornalista, secretária de Estado de Comunicação do Acre

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